Cordelteca da Casinha


O Cordel é uma das mais incríveis manifestações da cultura brasileira. Trata-se do registro escrito de uma poesia cantada. Tem uma origem híbrida que remonta os folhetos de poesia medieval portugueses e os repentes dos cantadores nordestinos.

A poesia de cordel é comumente comercializada em feiras, nos folhetos de cordel, que nada mais são que simples livretos pendurados em um cordel, em uma barraca ou uma tenda. Esses livretos carregam em si versos compostos na mais potente das métricas. Digo potente pois essa métrica respeita uma matemática da memória, ou seja, é uma métrica ideal para ser lembrada. Tal engenharia foi pega emprestada dos cantadores. Esses violeiros decoram milhares de cantigas inteiras e as cantam de cor, a qualquer hora do dia. Esses homens são livros vivos que se perdem quando morrem. A poesia de cordel, de certa forma, contribui para preservar essas rimas. É, portanto, ao meu ver, o casamento da linguagem escrita com a cantiga, da imprensa com a poesia cantada. 



A riqueza do cordel, no entanto, não para por aí. No mundo da tipografia, das prensas e da produção gráfica, temos também o artista, xilogravador, que ilustra as capas dos cordéis. São desenhos feitos em uma chapa de madeira, e depois impressos em um papel, a capa da poesia de cordel. Mestre Gaio, o pai da Cordelteca da Casinha, junta em uma só pessoa o poeta e o gravador. Ele é membro da Academia Brasileira de Cordel, autor de centenas de títulos apreciados por todo o Brasil. Em escolas, igrejas, estádios de futebol, faculdades, centros culturais, Mestre Gaio difunde a poesia de cordel com maestria. Como falamos, o Mestre fez a doação de uma coleção riquíssima de cordéis de sua autoria e de outros grandes autores. É fundador, portanto, da Cordelteca da Casinha que tem disponibilizado ao público títulos incríveis para empréstimo.



Texto e fotos da cordelteca na Casinha: Tales Bedeschi

Fotos da cordelteca no Arraiá da Casinha: Bel Diniz